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Relações, Relacionamentos e Eneagrama

Quando em 2004 nasceu a sua primeira filha, Eduardo Torgal decidiu mudar toda a sua vida.
Constatar que estaria longe do exemplo que gostaria de ser, viu-se confrontado com a angustiante questão que lhe faziam em criança: O que queres ser quando fores grande?
E foi assim que em 2004 escolheu passar a sua vida a transformar outras vidas.
Coach de relacionamentos amorosos, especialista em vários programas de televisão da estação televisiva SIC e de inúmeras revistas sobre a sua especialização.
Professor certificado e supervisor de Eneagrama, e estudou vários anos no programa SAT na fundação Claudio Naranjo.
Fundador do Instituto Eneacoaching, foi um dos responsáveis pela divulgação do Eneagrama em Portugal.
Constelador Sistémico pelo Gestalt Institute.
Criador do programa Código do Amor, um programa com uma metodologia criada por si, de transformação das relações amorosas, dedicado a mulheres, para que transformem as suas relações amorosas, mesmo que o homem se recuse a participar.

 

O Eduardo foi um dos nossos convidados do Congresso, que nos brindou com o(s) seus(s) saberes e paixões.
Este artigo reflete as valências do Eduardo, mas acima de tudo reforça o que ele tao bem defende “sem transformação, de nada vale a pena ter objetivos”.
Falar do Eduardo é falar de transformação, de coaching, de processos e claro, de Eneagrama.
Todos os processos por ele orientados têm por trás o Eneagrama, mapa de personalidades, bem como o método Torgal, por ele patenteado.
Com um público maioritariamente feminino, Eduardo Torgal destaca o impacto que a personalidade de cada um de nós tem na forma como nos relacionamos, amamos, nos deixamos amar, e ainda, na forma como vivemos o amor.
Com o Eneagrama é possível conhecer os 9 perfis de personalidade, e assim conhecer melhor as nossas próprias caraterísticas, bem como as das pessoas que nos rodeiam, em especial daquela(s) com quem partilhamos o dia a dia.
As relações e os relacionamentos também podem crescer com o Eneagrama, pois esta tomada de consciência permite corrigir padrões negativos, compreender melhor o parceiro, e identificar a “pessoa certa”, caso andemos à procura do amor.

 

Uma relação tóxica é algo que nos retira a possibilidade de crescer e aprender. Para não nos deixarmos levar, ou até mesmo entrar numa relação destas é preciso CONHECERMO-NOS muito bem.

 

“Quando sabemos quem somos, ao que damos importância, quais são os nossos talentos, os pontos fracos, conseguimos preservar a fronteira entre uma relação feliz, e uma relação tóxica.”

 

Há 3 entidades num relacionamento: o próprio individuo, o parceiro, e a relação. “Se eu e o outro conseguirmos compreender quais são as nossas fronteiras e os nossos talentos, não vamos deixar que nos influenciem nesta matéria”.

 

“Hoje acredito ser de extrema importância que, durante um relacionamento, ambos possam crescer individualmente”.

 

Mas somos nós que temos de nos compreender e de conhecer ao pormenor as nossas capacidades emocionais, pois assim temos a “chave na mão” para não deixar que outras pessoas, mesmo com a melhor das intenções, nos façam acreditar naquilo que não somos.
O Eneagrama é uma chave essencial para a criação de relacionamentos harmoniosos e sustentados, na medida que permite um maior equilíbrio e segurança dentro das relações, aumentando a autoestima, de forma a que cada um se sinta mais confiante em defender o seu pensamento, o seu sentir e a sua forma de agir.
Esta ferramenta milenar, e sistémica, foi trazida para Portugal por Eduardo Torgal.
O mapa de personalidade do Eneagrama é dividido em 9 perfis, e a identificação objetiva de cada um é feita através de um número, de 1 a 9. A escolha de um número, e não de outra forma de identificação, pretende dar importância a um conjunto de organizações matemáticas e de outras revelações que têm a ver com o próprio símbolo.

 

“Eu compreendo que amar é como viver a nossa vida. Se compreendermos o quão importante é amarmos para nos sentirmos vivos, compreendemos muito mais sobre nós, sobre o amor à nossa volta, e sobre a pessoa que está ao nosso lado” (Eduardo Torgal)

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EDUCAÇÃO SISTÉMICA

EDUCAÇÃO/PEDAGOGIA SISTÉMICA , mais uma das ÁREAS do Congresso que surge da análise da Educação baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas.

O Modo como aprendemos, experienciamos e ensinamos a Educação impele-nos para uma transformação…

A Educação Sistémica Humaniza, através da inclusão, da ordem, do equilíbrio.

Professores, alunos e pais têm o seu lugar, e devem honrar os seus papéis, incluindo os sistemas familiares, educativos e institucionais.

O Papel de um professor ou a importância do lugar de um professor é olhar com todo o respeito para os pais dos seus alunos e para eles (crianças, jovens)

O lugar do professor é essa aceitação e esse respeito profundo. Esse olhar de respeito.

Conscientes dos inúmeros desafios desta área, e do poder de resolução decorrentes da Visão e Postura Sistémicas, convidámos Professores e outros elementos da área da Educação,

a estarem presentes nestes 3 dias de Transformação do Inconsciente Coletivo.

Partilhamos convosco a Carta que enviámos.

Se se sentirem tocados por este movimento, se tiverem vontade de saber mais, se o considerarem útil para alguém que conheçam, entrem em contacto connosco ou partilhem esta informação.

Faça parte deste movimento de transformação da Consciência Humana!

#Unidos num Só Coração 

Maria Gorjão Henriques

Assista ao Vídeo da Educação Sistémica

Educação Sistémica

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O amor entre pais e filhos. Benção ou obstáculo? por Tiiu Bolzmann

Terapeuta Familiar Sistémica, Supervisora Sistémica e Formadora em Aconselhamento Sistémico
As crianças são as pessoas mais próximas que temos.

Um filho, uma filha, são “o nosso sangue”, carregam os nossos genes, a nossa história familiar, e com ela tudo o que somos. Nós próprios também carregamos tudo de nossos pais e eles, por sua vez, carregam tudo dos seus próprios pais.

Também podemos observar essa proximidade na vida quotidiana. Nos filhos, quando os pais adoecem, e a mãe se preocupa com o pai ou o pai com a mãe. Quando os filhos descobrem os problemas que o pai ou a mãe têm no trabalho, com dinheiro, com os vizinhos, com os sogros e, muitas vezes, também quando há desentendimentos entre eles como casal. Na verdade, as crianças sabem tudo sobre seus pais.

O vínculo entre pais e filhos é o vínculo mais forte que existe e, embora não estejam diretamente envolvidos nas relações íntimas do casal, eles apercebem-se sempre quando algo acontece, e preocupam-se.

Todas as crianças estão cientes dos seus pais. Não importa a idade deles (nem dos filhos, nem dos pais). Cada época tem a sua própria expressão de preocupação. O bebé nos primeiros meses não dorme, por eles; na infância, a criança adoece, para eles; na adolescência, eles lutam por eles; e em todos os casos esta preocupação torna-se um problema para o filho, ou filha, na vida adulta.

O amor incondicional que temos pelos nossos pais leva-nos a procurar, a todo custo, uma solução para eles.

E assim desgastamo-nos, porque não percebemos que a solução não está nas nossas mãos.

Todas as criança querem que os pais estejam bem e que fiquem juntos para o resto da vida.

Esse desejo é intrínseco à própria vida, porque somos, desde a conceção, nossos pais.

Toda a criança carrega os dois, a mãe e o próprio pai, não é possível escapar a esta fusão.

É por isso que vivemos com o desejo de que os dois permaneçam unidos para sempre. Em muitos casos, os filhos percebem quando o relacionamento entre os pais se esgota, e entendem que seria melhor a separação. Mas esse “entendimento” leva-os de volta ao conflito, porque sabem que essa separação é boa para um, mas difícil para o outro. Esta dinâmica de ver que um dos pais se sente bem, e que o outro se sente mal, é o que experimentamos desde sempre, mesmo antes de entendermos que, ao longo da vida, nos sentimos “ao serviço” dos nossos pais de diferentes formas. 

Lembro-me muito bem que meu padrasto, quando discutia com minha mãe (por que motivo? Nunca soube), ficava muito tempo sem falar com ela. Não me lembro se eram dias, semanas ou meses, a mim parecia-me uma eternidade. Ao jantar ele dizia: “diga a sua mãe que não quero mais sopa.” Eu olhava para um e para o outro. Não sabia o que fazer. Eu sentia-me muito mal pois sabia que ela o tinha escutado e, se eu atendesse ao seu pedido parecia mostrar que estava a tomar partido dele.  Mas, em contrapartida, se eu não falasse, eu também me sentia muito mal com meu padrasto, por estar a desobedecer-lhe e, além disso, a mostrar tomar partido da minha mãe. 

Foi um jogo terrível para mim e, embora ele não fosse meu pai biológico, ficava sempre com o meu coração partido. Eu sabia que minha mãe o amava, e que ele amava a minha mãe. Não conseguia entender como duas pessoas que se amavam se podiam magoar tanto.

Não importa se os filhos estão presentes nas brigas dos pais ou não, eles percebem que algo está a acontecer e que esse “algo” pode ser perigoso. A mãe e o pai distanciam-se, e o filho percebe isso como uma ameaça contra si mesmo, contra sua própria integridade.

O que é verdadeiramente trágico é que os filhos nunca estão presentes nos momentos em que os pais se voltam a aproximar.

Principalmente quando a reaproximação se dá na intimidade. Assim, os filhos vivenciam apenas o conflito, mas não estão presentes na reconciliação. Eles ficam com o “mal” que um fez ao outro, e então questionam essa reconciliação, porque não entendem como podem ficar bem depois do que aconteceu. 

Uma situação especialmente desagradável é quando um dos pais dá informações íntimas sobre o outro progenitor ao filho, algo que deveria permanecer apenas entre os pais. Nesse caso, podemos perder o respeito por eles.

Essas informações invadem muito a nossa alma e, em muitos casos, não podemos conviver com o preconceito que isso gera sem nos ferirmos.

Na nossa alma não podemos suportar que um de nossos pais perca a dignidade.

De repente, sentimo-nos “obrigados” a julgar e a tomar partido de um, em detrimento do outro.

Essa divisão prejudica a alma do filho e, nos casos mais extremos, deixa marcas para toda a vida. 

Quanto nos teria ajudado entender que os conflitos do casal fazem parte da vida, que não devem ser evitados, mas resolvidos?

Nas famílias que têm uma cultura de permitir conflitos e buscar soluções, essa ameaça angustiante não ocorre. Para os filhos é de grande ajuda quando os pais lhes mostram que, apesar da discordância entre eles, eles podem continuar a se sentir seguros.  A solução não é desfazer o conflito, mas respeitá-lo e deixá-lo nas mãos daqueles a quem pertence.  Mas este entendimento surge com a maturidade. Quando somos mais novos não temos recursos para fazer essas reflexões sobre relacionamentos.

Podemos passar a vida a reclamar dos danos que os nossos pais nos causaram, e permanecermos como vítimas dos acontecimentos ocorridos na nossa infância e adolescência. Porém, desta forma, o nosso comportamento remete para a infância, permanecemos crianças.

Perdemos poder quando não vemos que já somos responsáveis ​​pelas nossas vidas e que, como adultos, temos a hipótese de “digerir” esses eventos traumáticos e sair dos “enredos”.

Claro que dói. Em primeiro lugar, dói quando voltamos a sentir as emoções oprimidas daquela época. Em segundo lugar, dói desistir do desejo de ser diferente. Então dói abrir mão do “direito de ficar com raiva e indignado” com os pais. Finalmente, dói perceber o quanto desse comportamento foi adotado por nós nos nossos relacionamentos com nossos próprios filhos. No trabalho sistémico com as Constelações Familiares podemos colocar-nos como adultos no nosso lugar de crianças. E assim olhar para os nossos pais e ver a dignidade de ambos, com as suas possibilidades e limitações

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Direito Sistémico

 

 

O Direito sistémico, uma das ÁREAS do Congresso, surgiu da análise do Direito sob uma ótica baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas,

conforme demonstram as constelações familiares desenvolvidas por Hellinger.

 

Conscientes dos inúmeros desafios da área judicial e do poder de resolução decorrentes desta Visão e Postura Sistémicas, convidámos inúmeros Juízes, Advogados

e outros elementos da área da Justiça, a estarem presentes nestes 3 dias de Transformação do Inconsciente Coletivo.

Partilhamos convosco a Carta que enviámos.

Se se sentirem tocados por este movimento, se tiverem vontade de saber mais, se considerarem útil para alguém que conheçam, entrem em contacto connosco ou partilhem esta informação.

 

Faça parte deste movimento de transformação da Consciência Humana!

Unidos num Só Coração 

Maria Gorjão Henriques

 

 

 

 

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SOLIDARIEDADE por Maria Gorjão Henriques

Maria Gorjão Henriques

Mentora e organizadora do I e II Congresso Internacional de Consciência Sistémica
realizados em Portugal.

O conceito de Solidariedade implica ter um espaço interno para incluir o outro dentro de nós, mas, para que isso aconteça da forma certa, o outro precisa de ser incluído com total aceitação, e sem que queiramos mudar nada na sua dimensão humana, familiar, social ou racial.

A Solidariedade verdadeira implica perguntar, organizar, materializar e proporcionar ao outro o que ele precisa, à maneira dele e respeitando a sua cultura e modo de Vida. Esse caminho interno é longo e pressupõe algum desenvolvimento pessoal e espiritual, para que saibamos caminhar da empatia até à compaixão, com muita humildade, sem nos substituirmos ou enfraquecermos a dignidade.

Desde a conceção até ao nascimento, tudo tem uma ordem.

Como seres humanos, estamos vinculados a uma imensidão de sistemas. Desde o nosso corpo, à família, ao país, ao continente que pertencemos. Todos eles formam um sistema integrado e interrelacionado que nos influencia, sem estarmos conscientes.

Precisamos de aprender a viver em função deste entendimento para integrarmos, “da pele para dentro”, que tudo o que acontece com o outro também nos diz respeito e, ao mesmo tempo, influencia o desenvolvimento da consciência coletiva, a partir da

qual todos nós nos alimentamos, nos níveis mais profundos do nosso Ser.

Ainda somos muito pouco conscientes das reais motivações que nos fazem abraçar certos projetos, tomar determinadas decisões e até mesmo escolher e determinar o que tantas vezes chamamos de Missão de Vida.

A questão de fundo prende-se com as reais motivações que sentimos quando decidimos querer Ser Solidários, e oferecer o nosso tempo e energia a alguém, ou mesmo a uma causa ou projeto de Solidariedade Social?

Temos vários níveis de lealdades que nos movem até sermos capazes de discernir o que, na nossa pureza e essência, se expressa através de nós.

Até conseguirmos ser lúcidos e conscientes de todas estas influências sistémicas somos movidos e motivados a atuar através de vários níveis de lealdades, independentemente de algumas partes de nós poderem estar ao serviço do algo maior, a partir do qual a vibração da nossa Alma se expressa. Na realidade, somos movidos por vários níveis de consciência, e cada um desses níveis está ao serviço da completude, da inclusão e da necessidade de equilíbrio que em algum momento do tempo foi perdida.

Podemos sentir-nos chamados a viver a nossa vida através de projetos de solidariedade, mas é importante observar que existem vários níveis de motivação que nos podem convocar a viver dessa forma:

  1. A nossa Alma ter o chamamento natural inato para movimentos de solidariedade, porque nascemos com um determinado propósito e sentimo-nos movidos, empurrados, para que a vida se expresse através da forma como nos doamos. Então, permitimos que o que se expressa através de nós, reverbere para fora de forma natural;
  2. Sentirmo-nos motivados a envolvermo-nos nesses projetos como uma forma de compensação para com alguém, ou para com uma memória familiar de injustiça, humilhação, pobreza, vazio, destinos difíceis ou algum evento marcante da nossa família de origem que, de alguma forma, espiamos através da maneira como nos doamos. Neste caso, procuramos compensar, através dos outros, essas memórias próprias do clã.
  3. Alguns traumas acumulados da nossa infância, e, por sentimentos de carência, precisarmos de dar aos outros o que na verdade não tomamos para nós ou de nós próprios.

Nos últimos dois casos, a necessidade de reconhecimento e de compensação servem de motor para que a pessoa se dedique, de corpo e Alma, a uma causa que, na verdade, mais não é do que a necessidade de devolver ao clã a sua dignidade ou o sentimento de inclusão, de forma a ser vista por si mesma.

É possível que em cada um de nós resida um pouco de cada uma destas versões e motivações mais inconscientes, que a dança da Vida nos mostra através dos véus de ilusões que criamos, e que vamos derretendo à medida que evoluímos e lidamos com a princípio da realidade.

É sempre mais fácil projetarmo-nos fora de nós, e vermos nos outros as suas dores e vazios, do que mergulhar na verdadeira solidariedade para connosco próprios, e assumirmos que essas dores também são nossas.

 

A vibração do coração precisa de ter o seu espaço interior para reverberar para o exterior.

Seremos todos capazes de ser solidários no dia em que aprendermos a viver pacificados em nós. Nessa altura, não será precisa solidariedade, porque todo o Ser Humano estará a ocupar o seu lugar, e não haverá desigualdades sociais.

Até lá, só posso expressar a minha profunda gratidão por todos nos sentirmos empurrados a compensar dores e lealdades inconscientes desta forma “solidária”. Apesar da projeção, muita coisa é feita, e muitas Vidas encontram um porto seguro!!!

Bem-haja à Vida!

Maria Gorjão Henriques 

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As CONSTELAÇÕES ORGANIZACIONAIS: uma tecnologia do futuro, por GUILLERMO ECHEGARAY INDA

Guillermo Echegaray

GUILLERMO ECHEGARAY INDA é doutor em Filosofia, psicólogo e diretor do centro

Guillermo Echegaray-Oficina de Psicologia. Consultor Sistémico, Constelador Organizacional e Estrutural.

As constelações organizacionais são uma nova ferramenta que permite aceder à dinâmica sistémica que se desenvolve nas empresas. Isso tem a ver com o papel que desempenham no método e com os princípios sistémicos do direito de pertencer, ordem e equilíbrio entre dar e receber.

O procedimento singular das constelações organizacionais permite um acesso à experiência real das empresas,

de outra forma inatingível. Pode-se por isso prever o importante papel que as constelações terão no futuro.

As empresas e organizações estão cheias de planos, produtos, métodos de consultoria e análise, capazes de dissecar múltiplos clientes com potencial. Mas geralmente muitos destes clientes naufragam. O “ponto Cego” da ciência contemporânea é a experiência, o neurobiologista chileno Francisco Varela costumava dizer: “os nossos métodos de análise estão cheias de fatos, números, apresentações brilhantes em PowerPoint, mas na maioria das vezes chegam muito tarde, quando a experiência já ocorreu, e em muitas ocasiões, nada mais são do que “análise / paralisia”.  

Precisamos de uma nova qualidade de atenção e intenção para aplicar às nossas empresas e organizações.  

O que diferencia uma empresa ou organização bem-sucedida, de outra que fracassa, não é o que ela faz ou como o faz, mas a fonte, o lugar íntimo de onde agir.  

Scharmer observou como as interações que ocorrem nas organizações podem ser agrupadas em quatro modelos:

1. Modelo de “download”: o que ocorre quando aplicamos um esquema já conhecido e reconfirmamos nosso;

2. Modelo factual: prestamos atenção aos fatos e os dados que confirmam ou refutam informações anteriores.

3. Modelo empático: onde interagimos e com um “coração aberto” e entramos no mundo do outro ou no outro.

4. Modelo gerador: quando nos conectamos com um espaço mais amplo e profundo de ação, e observamos e ouvimos o campo emergente da máxima possibilidade futura.

Raramente as nossas instituições e organizações vão além do modelo 2 ou, quando muito, chegam ao 3.

O mesmo Scharmer aponta que as constelações organizacionais são uma ferramenta particularmente adequada para “testemunhar” a esta experiência,e chegar mais perto do conhecimento das organizações que o modelo 4 pode possibilitar.

As constelações organizacionais permitem aceder a problemas sistémicos de raiz, ao abrir uma porta para o

expressão dessa possibilidade futura emergente.

Mas o que significa “problemas sistémicos de raiz”?

Todos nós entendemos o que numa organização ou empresa saudável os funcionários se sentem bem e trabalhamde forma eficiente. A organização atende aos objetivos para os quais foi inicialmente criada, e há uma troca entre a sociedade e o “mundo exterior.

Em suma, uma organização “saudável” é aquela em que alguém gostaria de trabalhar. Onde podemos ouvir: “Eu sinto-me no meu lugar”. “Há energia aqui.”. “Nós sabemos o que estamos a fazer neste negócio”.

O oposto seriam expressões como: “Há algo de errado aqui.” “Temos problemas de comunicação”. “Eu não sinto que posso desenvolver todas as minhas capacidades nesta empresa”.

Dito assim, pode parecer que é uma questão de transformar uma organização problemática, numa saudável. Seria uma questão de resolver questões pessoais ou problemas práticos: comunicação, motivação, desempenho, etc. No entanto, o pensamento sistémico ensina-nos a ver que o todo é mais do que a soma das partes, e que uma organização é uma entidade viva e, como tal, a sua dinâmica influencia totalmente os indivíduos que a constituem.

Assim, há que compreender a dinâmica que está na base dos problemas da organização, pois só assim podemos encontrar uma saída para estas questões.

  • Quantos desses problemas de comunicação ou desmotivação têm raízes sistémicas?

  • Como explicar que um profissional inteligente, preparado e competente, numa dada organização se comporte como um inútil, enquanto noutra semelhante pode dar 120 por cento de suas capacidades?

Aqui está uma dinâmica sistémica típica!

Pode continuar a ler o artigo (na íntegra) aqui. constelações organizacionais por G.Echegaray

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O DIREITO SISTÉMICO É UMA LUZ NO CAMPO DOS MEIOS ADEQUADOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS por Sami Storch

A Visão do DIREITO SISTÉMICO, e a sua ação,  por Sami Storch.
Sami Storch é Juiz de Direito no Estado da Bahia, Mestre em Administração Pública e Governo e autor da expressão “Direito Sistémico” e do blog com o mesmo nome.
Convidámo-lo a escrever um pouco sobre a “sua  área”,
pelo que abaixo publicamos um dos textos que gentilmente nos enviou. 

(…) Há muito que se observa a incapacidade do Poder Judiciário em processar e julgar a quantidade de ações que lhe são apresentadas. A estrutura pessoal e material existente não é suficiente.

Por outro lado, já é reconhecida no meio jurídico e na sociedade, a necessidade de novos métodos de tratamento dos conflitos. Métodos que permitam não apenas uma decisão judicial que estabeleça, como deve ser, a solução para cada conflito — dizendo às partes quais os respetivos direitos e obrigações , mas também dar paz aos envolvidos. Permitindo que eles mantenham um bom relacionamento futuro e, inclusive, tratem de forma amigável outras questões que possam surgir.

A tradicional forma de lidar com conflitos no Sistema Judiciário já não é vista como a mais eficiente.

Uma sentença de mérito, proferida pelo juiz, quase sempre gera inconformismo e, não raro, desagrada a ambas as partes. Em muitos casos enseja a interposição de recursos e manobras processuais, ou extraprocessuais, que dificultam a execução. Como consequência, a pendência estende-se no tempo, gerando custos ao Estado, incerteza e sofrimento para as partes envolvidas.

Tal fenómeno é ainda mais visível nos conflitos de ordem familiar, que têm origem quase sempre numa história de amor, e geralmente envolve filhos.

A instrução processual é nociva para todos os envolvidos.

Cada testemunha que depõe a favor de uma parte pode trazer à tona fatos comprometedores relativos à outra, alimentando ressentimento e dificultando a paz. Assim, mesmo depois de julgada a ação, esgotados os recursos e efetivada a sentença, o conflito permanece.

A conciliação no âmbito judicial está instituída há bastante tempo na legislação brasileira, e é largamente aplicada nas causas cíveis, com mais ênfase naquelas relativas às Famílias.

Também para o tratamento relativo aos crimes de menor potencial ofensivo, a mesma lei prevê a composição civil dos danos como forma de resolver conflitos, evitando-se uma ação penal. Mas outros métodos também se tornam necessários para desafogar os tribunais e resolver os conflitos.

Há 12 anos que utilizo técnicas de constelações familiares sistémicas, obtendo bons resultados na facilitação das conciliações e na busca de soluções que tragam paz aos envolvidos nos conflitos submetidos à Justiça, em processos da “Vara de Família e Sucessões”, e também no tratamento de questões relativas à infância e juventude e à área criminal, mesmo em casos considerados bastante difíceis.

Trata-se de uma abordagem originalmente utilizada como método terapêutico pelo terapeuta e filósofo alemão Bert Hellinger, que a partir das constelações familiares desenvolveu uma ciência dos relacionamentos humanos, ao descobrir algumas ordens (leis sistémicas) que regem as relações. Essa ciência foi batizada pelo seu autor com o nome de Hellinger Sciencia.

O conhecimento de tais ordens conduz-nos a uma nova visão do Direito, e de como as leis podem ser elaboradas e aplicadas de modo a trazerem paz às relações.

A expressão “Direito Sistémico”, termo cunhado por mim quando lancei o blog Direito Sistémico (direitosistemico.wordpress.com), surgiu da análise do Direito sob uma ótica baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas, conforme demonstram as constelações familiares desenvolvidas por Hellinger.

Segundo essa abordagem, diversos problemas enfrentados por um indivíduo (bloqueios, traumas e dificuldades de relacionamento, por exemplo) podem derivar de fatos graves ocorridos no passado não só do próprio indivíduo, mas também de sua família, em gerações anteriores, e que deixaram uma marca no sistema familiar. Mortes trágicas ou prematuras, abandonos, doenças graves, segredos, crimes, imigrações, relacionamentos desfeitos de forma “mal resolvida” e abortos são alguns dos acontecimentos que podem gerar emaranhamentos no sistema familiar, causando dificuldades em seus membros, mesmo em gerações futuras.

As constelações familiares consistem num trabalho onde pessoas são convidadas a representar membros da família de uma outra pessoa (o cliente), e, ao serem posicionadas umas em relação às outras, sentem como se fossem as próprias pessoas representadas, expressando os seus sentimentos de uma forma impressionante, ainda que não as conheçam.

Vêm à tona as dinâmicas ocultas no sistema do cliente, que lhe causam os transtornos, mesmo que relativas a fatos ocorridos em gerações passadas, inclusive fatos que ele desconhece. Podem-se propor frases e movimentos que desfaçam os emaranhamentos, restabelecendo-se a ordem, unindo os que no passado foram separados, proporcionando alívio a todos os membros da família e fazendo desaparecer a necessidade inconsciente do conflito, trazendo paz às relações.

“O Direito sistémico vê as partes em conflito como membros de um mesmo sistema, e ao mesmo tempo vê cada uma delas vinculada a outros sistemas dos quais simultaneamente fazem parte (família, categoria profissional, etnia, religião etc.) e procura encontrar uma solução que, considerando todo esse contexto, traga maior equilíbrio.”

Há temas que se apresentam com frequência: como lidar com os filhos na separação, as causas e soluções para a violência doméstica, questões relativas à guarda e alienação parental, problemas decorrentes do vício (em geral relacionado a dificuldades na relação com o pai), litígios em inventários nos quais se observa alguém que foi excluído ou desconsiderado no passado familiar, entre outros. Cada um dos presentes, mesmo os que se apresentem apenas como vítimas, pode frequentemente perceber de forma vivenciada que há algo na sua própria postura ou comportamento que, mesmo inconscientemente, estava a contribuir para a situação conflituosa. Essa perceção, por si só, é significativa e naturalmente favorece a solução.

Em ações de família, muitas vezes uma constelação simples, colocando representantes para o casal em conflito e os filhos, é suficiente para evidenciar a existência de dinâmicas como a alienação parental e o uso dos filhos como intermediários nos ataques mútuos, entre outros emaranhamentos possíveis. Essas explicações têm se mostrado eficazes na mediação de conflitos familiares e, em cerca 90% dos casos, as partes reduzem resistências e chegam a um acordo.

Em alguns tribunais, no Ministério Público e na Defensoria Pública, têm sido realizadas experiências na área criminal, com o objetivo de facilitar a pacificação dos conflitos e a melhoria dos relacionamentos, incluindo réu, vítima e respetivas famílias. As constelações têm servido de prática auxiliar no trabalho com a Justiça restaurativa, ajudando a preparar as partes e a comunidade envolvidas, para que possam dar um encaminhamento adequado à questão.

No âmbito penitenciário, multiplicam-se as práticas, visando proporcionar aos presos uma oportunidade de compreender as dinâmicas ocultas por trás do padrão criminoso, e olhar para onde está o amor que, de forma cega, os fez repetir os comportamentos antissociais já ocorridos em gerações passadas, na história da própria família.

As reações dos participantes têm indicado resultados notáveis.

Independentemente da aplicação da lei penal, acredito que as constelações possam reduzir as reincidências, auxiliar o agressor a cumprir a pena de forma mais tranquila e com mais aceitação, aliviar a dor da vítima e, quem sabe, desemaranhar o sistema para que não seja necessária outra pessoa da família se envolver novamente em crimes, como agressor ou vítima, por força da mesma dinâmica sistémica.

Durante e após o trabalho com constelações, os participantes têm demonstrado boa absorção dos assuntos tratados, um maior respeito e consideração em relação à outra parte envolvida, além da vontade de conciliar — o que se comprova também com os resultados das audiências realizadas semanas depois e com os relatos das partes e dos advogados da comarca.

SAMI STORCH

SAMI STORCH é também um dos palestrantes do CONGRESSO DE CONSCIÊNCIA SISTÉMICA, 
e estará presente em DUAS palestras na área temática DIREITO SISTÉMICO.

Assista também à live de SAMIT STORCH com a fundadora do Congresso, Maria Gorjão Henriques,

sobre o tema DIREITO SISTÉMICO.

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CONSCIÊNCIA SISTÉMICA_Os novos Paradigmas de Saúde e de Cura por Dr. Fernando Freitas

Dr. Fernando Freitas

Convidámos o Dr. Fernando Freitas a partilhar um pouco da sua visão sobre a a Consciência Sistémica e a Saúde, e ele generosamente, partilhou este texto: 

Ainda não conhece a evolução da Genética que está a revolucionar a Medicina e a Psicoterapia?

O conhecimento da Epigenética está a mudar radicalmente a forma como compreendemos as doenças e os comportamentos humanos. Em breve veremos novas formas de tratamento do Cancro, Doenças Autoimunes, Depressão, Psicose, e muitas outras enfermidades que trazem tanto sofrimento aos doentes e seus familiares.

Na minha jornada profissional de cura das doenças, que se iniciou em 1975 quando entrei na Escola Paulista de Medicina (atual UNIFESP), eu participei em muitas mudanças na forma de ver a Doença, o Doente, o Médico, a Medicina e a Saúde. Os conhecimentos científicos das várias áreas trouxeram uma luz capaz de revelar muitos fenómenos, que os profissionais conheciam, mas não tinham como explicar. A Física Quântica foi uma delas.

Há pouco tempo surgiu uma nova ciência que quebrou muitos paradigmas, e trouxe uma perceção da Vida que derrubou muitos dogmas na área da Saúde, e no relacionamento humano – a Epigenética

Ainda acredita que é um ser isolado, “dono” da sua própria vida, e que suas escolhas vêm apenas da sua mente, e só o afetam a si mesmo?

Ainda não descobriu que está profundamente conectado com o mundo que o cerca no presente?

Sabia que seu corpo e sua mente foram afetados pelas experiências de vida de várias gerações familiares do passado? E que hoje você é a ponte que vai determinar se as próximas gerações serão mais saudáveis ou mais doentias?

Ainda não sabe que tem o poder de fazer mudanças em si mesmo, na família e em todos os níveis de relacionamentos no presente e no futuro (na sua própria vida e na dos descendentes)?

Todos temos um enorme poder de transformação que está aprisionado nas nossas crenças mentais. É a nossa interpretação da Vida que cria a ilusão de mundo. A grande questão é: Como desenvolvemos essa interpretação?

  • Se nós mudarmos tudo se transformará na nossas Vidas?
  • Onde começamos a existir como ser humano?
  • Como é que a Vida se conectou connosco?
  • Você já alguma vez colocou estas questões a si próprio?

Afinal, o que é a Vida e qual é a sua relação com ela?

Todas estas questões nortearam grandes pesquisadores em várias fases do conhecimento. O grande objetivo é encontrar as bases de compreensão do ser humano, identificar as causas do sofrimento humano e descobrir formas de tratamento. 

Para continuar a ler o artigo na íntegra, por favor clique no link:

CONSCIENCIA SISTÉMICA_novos paradigmas de saude e cura_Dr. Fernado Freitas .docx

O Dr. Fernando Freitas é mais um dos Palestrantes presentes no Congresso Internacional de Consciência Sistémica, no qual facilitará uma palestra e um workshop imersivo na área temática SAÚDE SISTÉMICA.

Assista também à live da fundadora do Congresso, Maria Gorjão Henriques,  com o Dr. Fernando Freitas

sobre o tema SAÚDE SISTÉMICA.

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As Tradições de Cura Ancestrais Africanas e a Prática de Constelações Familiares

As Tradições de Cura Ancestral Africanas e a Prática de Constelações Familiares

Por Tanja Meyburgh, 2010

Tanja Meyburgh é psicóloga, treinadora e supervisora ​​de Constelações de Sistemas e Famílias, e é colaboradora regular do jornal internacional de constelações, The Knowing Field.

Fundadora das Constelações Africanas, é a principal pioneira no trabalho de constelações na África do Sul, com 18 anos de experiência especializada neste área.

Ajudou organizações na África do Sul envolvidas com dependência, adoção, trauma, violência política, desenvolvimento comunitário e diversidade e, recentemente, Tanja foi cofundadora do Ancestral Connections, que integra a dança e as constelações, e da REAL Academy.

O seu trabalho é descrito, por quem a conhece, como gentil e incisivo. Tanja mora na Cidade do Cabo e o seu nome e trabalho estão intimamente ligados à conexão entre as tradições de cura ancestrais, e a prática de constelações familiares.

Desde a minha primeira experiência com constelações, na tradição de Bert Hellinger, em 2002, que soube intuitivamente que algo africano estava no seu centro. Intui que havia algo realmente importante a ser descoberto no encontro entre África e o Ocidente, na Constelação Familiar, e isso deu início a uma longa busca.  Este conhecimento tornou-se a chave para entender e garantir a minha saúde e bem-estar, a dos meus clientes, e o treino de facilitadores”.

No artigo que escreveu a este respeito, Tanja Meyburgh, mostra quão delicado e cauteloso é falar sobre a cultura africana. Passar para o papel este tipo de informação da sociedade tradicional africana, que o faz usualmente através de canções e histórias, e do professor para iniciar, deixou Tanja muito hesitante.

Depois de entrevistar de alguns formadores e facilitadores negros africanos, as duas conexões mais óbvias entre as Constelações Familiares e as crenças tradicionais africanas são confirmadas.

1) o reconhecimento de que nossos ancestrais são vitais para o nosso bem-estar:

“A cultura Zulu tem uma forte crença nos Ancestrais “Amadlozi”, em relação a se conectar com eles para apaziguar, liberar ou pedir certas coisas. Eles são considerados os nossos guias, e são compostos por pessoas que conhecemos e que deixaram este planeta. Constelar uma questão não resolvida é semelhante a fazer uma cerimónia, conversar com um antepassado”. (Zondi-Rees, 2007)

“A crença nos ancestrais está enraizada na necessidade ou desejo de preservar a memória de gerações passadas conhecidas, e linhagens conhecidas ou desconhecidas. A ênfase em reconhecer os excluídos é o alicerce da cura para várias doenças, como desconforto corporal, discórdia espiritual ou necessidade comum de afastar o infortúnio ou uma maldição que será projetada por espíritos malévolos. Os bons espíritos são reconhecidos e agradecidos por meio de cerimónias ou rituais de limpeza”. (Mthembu-Salter, 2005).

2) o uso de adivinhação por curandeiros africanos tradicionais para receber as mensagens dos ancestrais “jogando os ossos”.

Os ossos consistem em símbolos para vários membros da família, bem como elementos simbólicos relacionados à vida de uma pessoa: dinheiro, amor, poder, órgãos do corpo, força vital, etc”. (Tanja, 2010)

Nas terapias africanas, a leitura dos ossos pode ser usada para localizar patologias. No entanto, é mais vital revelar um padrão de relacionamentos patológicos afetados – e recursos. Os ossos revelam rituais e muthi (medicina) para estabelecer relações familiares e ancestrais. Da mesma forma, uma constelação familiar revela desconforto e recursos dentro de toda a constelação – ao invés da patologia do paciente. Uma constelação revela remédios (“muthi espiritual”): como se curvar ou dizer certas frases – que na verdade são pequenos atos de ritual cerimonial – para estabelecer relacionamentos”. (de Wet, 2010).

Perante estas constatações, Tanja questiona o que fez Bert Hellinger não reconhecer esta conexão? E equaciona se não terá sido intencional, como forma de respeitar a tradição e os costumes sagrados africanos.

Mas então o que Hellinger aprendeu com os líderes espirituais locais, numa época em que se esperava que ele os convertesse às suas próprias crenças?

Foi esta questão que moveu Tanja a mais e mais investigações e, aos poucos, lhe permitiu aclarar o que havia intuído: a conexão entre a Constelações familiares e as tradições africanas de cura:

  1. Reconhecimento de que nossos ancestrais e familiares estão profundamente ligados ao bem-estar e à doença, e que o relacionamento é simbiótico e de recursos mútuos.
  2. Compreender que o indivíduo é parte integrante de sua família e linhagem ancestral e nunca pode ser desconectado dela.
  3. Alinhamento em termos de ordem na família – quem vem primeiro, linhagem geracional e continuidade da árvore genealógica; incluindo levar em consideração aqueles que ainda podem causar problemas até serem reconhecidos e reconhecidos.
  4. A importância do efeito da parte excluída, ou questões na vida de uma família e de uma pessoa, seja ela consciente ou inconsciente.
  5. Cura usando o simbolismo.
  6. A representação espacial e física dos membros da família e elementos intrapsíquicos de “arremesso dos ossos” são semelhantes à colocação de representantes em constelações familiares.
  7. Honrar os mais velhos e a hierarquia de pais e filhos.
  8. Conexão com o falecido e o lugar legítimo dos mortos.
  9. Colapso do passado, presente e futuro em tempo e lugar definido pelo ritual / constelação.
  10.  A prescrição de rituais e cerimónias como dever de casa após a consulta.

Constelações familiares como ritual

Os rituais fazem parte das tradições africanas. De acordo com as observações registadas, e com os ancestrais africanos curandeiros que consultou, Tanja relata que a Constelação Familiar é considerada um ritual de alto nível, o que significa que tem muito “calor aleatório”. (energias que podem facilmente ligar-se a outros vulneráveis ​​e torná-los suas famílias doentes).

 

“Havia regras rígidas para a preparação dos participantes e facilitadores, bem como para o espaço criado em torno do próprio ritual. É considerado irresponsável não ter conhecimento dos diferentes níveis do processo ritual, ao realizar o trabalho ancestral e de cura”.

À medida que foi tendo acesso a esta informações, Tanja diz que alterou a sua intenção inicial. E, em vez de procurar o conhecimento Zulu / Africano por trás das Constelações Familiares, passou a olhar para a sabedoria tradicional africana, e perceber que contributo trazia às Constelações Familiares. E foi assim que o conhecimento oculto começou a ser fonte de um profundo insight.

Acredito que muito do que foi deixado de fora do campo tradicional da Constelação Familiar, tem a ver com os limites exigidos para o trabalho ritual seguro, e com a estrutura clara de treino e iniciação exigida para a cura ancestral. Não estou a defender um retorno a estruturas autoritárias maiores, mas sim uma homenagem aos processos rituais e de iniciação, como um meio de apoiar a saúde dos facilitadores e de seus clientes, incluindo isso conscientemente em workshops e treinos” (Tanja 2010)

Saúde do facilitador, clientes e representantes

De acordo com Tanja, na tradição africana, as regras para ritual, cerimónia e trabalho ancestral incluem um diálogo com os ancestrais, antes do evento, abstinência sexual e limpeza corporal antes e depois do evento, bem como queima de ervas quando os espíritos dos ancestrais são invocados.

De acordo com a sua perspetiva ocidental, Tanja sugere a função desses rituais:

  1. Criar consciência e preparação antecipada do corpo e da mente, e enfatizar a importância do autocuidado antes e depois da constelação.
  2. Conexão consciente com os recursos para obter suporte e força.
  3. Centrar o cliente e criar consciência da profundidade da cura ancestral – uma experiência de limiar que não deve ser abordada levianamente.
  4. Marcar o evento no tempo (com início e um fim claros).
  5. Reconhecer o papel do corpo, os seus limites e a proteção energética.

“Observar estes cinco aspetos melhorou dramaticamente os meus próprios níveis de saúde e energia, e dos clientes. Alterei a maneira como entro nas oficinas como facilitador, e como introduzo o processo aos participantes”.

Treinamento do curador / facilitador

Na maioria das tradições africanas para ser um curandeiro ancestral é necessário passar por um intenso processo de treino e iniciação.

“O sangoma de treino ou thwasa permanece de joelhos – e desvia os olhos ao falar com as pessoas. Apesar do aparente desequilíbrio de poder da posição, é um espaço rico e carregado para explorar as fronteiras de comunicação e intimidade. É como ter aulas de direção no mundo espiritual. À medida que o thwasa, acompanhado pelo ancestral-guia, toma conhecimento, transforma a ordem com novos níveis de intimidade. ” (De Wet, 2010).

Eu observei thwasa cujos joelhos estão magoados e a sangrar, duros e com calosidades. Ao princípio achei que fosse um estranho poder autoritário exercido pelo professor, mas com o tempo passei a perceber que esse posicionamento é o principal movimento necessário para facilitar o trabalho ancestral. Lembro-me que Hellinger também foi iniciado de joelhos na Igreja Católica. E integrei o “ajoelhar”:

Depois de todas as ponderações e hesitações sobre a redação deste artigo, um aluno, que recentemente se formou como curandeiro tradicional africano, com ancestrais africanos e alemães semelhantes aos meus, colocou de forma simples: constelações familiares como um sistema, são um resultado da maneira como a alma germânica integrou aspetos da cultura africana”. (Tanja, 2010)

Assista à Live com Tanja Meyburgh aqui: https://youtu.be/aQjV3a5K1T4

Tanja Meyburgh  é também uma das palestrantes do CONGRESSO DE CONSCIÊNCIA SISTÉMICA

Blog

A Força do Pai (Paulo Pimont Berndt)

Paulo Pimont Berndt

Se reconectar com a Força do PAI, é ter um MASCULINO saudável

Nesta semana do Pai, escolhemos Paulo Pimont Berndt para honrarmos a figura masculina que nos deu a Vida.

(somos 50% pai e 50% mãe)

Quem acompanha o trabalho deste palestrante do congresso, sabe do seu contributo nesta tomada de consciência da Força do PAI.

Nas suas partilhas enquanto Pai, e no seu trabalho com o masculino, há mais de 15 anos, ele realça a característica que mais ouve por parte dos homens, a respeito dos seus Pais. “A AUSÊNCIA”!

“ A ausência é a grande ferida que nós homens carregamos em relação ao Pai. Na verdade, nós humanidade.”

Para este especialista em Terapia Familiar, o movimento de afastamento do Pai começou em meados do século XX, quando “ocorreu na europa e na América do Norte, uma mudança maciça. O Pai estava trabalhando, mas o filho não podia vê-lo trabalhar” (Bly, R. em João de Ferro).

No seu artigo “A Força do Pai”, Pimont afirma basear o seu trabalho neste autor, e faz a seguinte reflexão: “O patriarcado é uma estrutura interessante e complexa. Porque, na verdade, o patriarcado tem, em sua essência, o matriarcado. Pois, quem passa a maior parte do tempo fora, trabalhando para prover a família, que passa menos tempo com os filhos, é o Pai. Quem comanda a casa, educa os filhos e está perto durante toda a formação psíquica da criança é a Mãe.”

COMO AMAR O PAI?

“Digo uma coisa: amar ao Pai não é uma escolha. Todos nós temos um amor intrínseco ao nosso Pai que muitas vezes não reconhecemos. Nós temos uma carência interna dessa conexão, consciente ou não.“

“A mulher sai do corpo de uma mulher para se tornar uma mulher. O homem sai do corpo de uma mulher para se tornar uma outra coisa. Que outra coisa é essa? Então ele vê o Pai. Mas, muitos não veem o Pai! E nós vivemos numa sociedade doente, nesse sentido, da ausência do Pai. “

Esta ausência associada ao patriarcado e matriarcado leva Paulo Pimont Berndt, mais uma vez,  a citar Robert Bly, “O Pai leva pra casa hoje, geralmente, o humor irritadiço, consequência de sua impotência e do desespero misturado com a vergonha e o torpor há muito existente dentro desse homem. Peculiaridades aos que odeiam o seu trabalho.”

E ao constatar um pouco da sua realidade familiar, ele levanta mais algumas questões:

Você é homem e é Pai e tem o trabalho que ama? Você, homem ou mulher, teve um pai apaixonado pelo seu trabalho? Que chegava em casa empolgado pelo que ele tinha feito no trabalho? Contando as proezas daquilo que ele havia vivenciado lá no trabalho? São poucos os que se enquadram nesta realidade, normalmente o pai só traz stress.”

Refletir sobre estas questões faz-nos emergir na possibilidade de que, quando os filhos crescem com o Pai a dedicar horas e horas ao seu trabalho, inconscientemente, possam crescer com a sensação de que o Pai gosta mais do seu trabalho de que deles, e “nesse momento abre-se um buraco no coração desse menino”. (P. Pimont)

COMO RESGATAR A FORÇA DO PAI?

As características masculinas de um homem e de uma mulher fluem com naturalidade e saúde, quando eu tenho o fluir dessa energia, a que eu chamo de sagrado masculino.

Paulo Pimont Berndt diz que a maior parte do homens vive nesta luta interna, para ser o oposto dos Pais, e chega a associar a criminalidade a esta “ferida”, comum entre os rapazes não iniciados pelos mais velhos (Pais), mas entre si. “para se desenvolver um homem saudável, é necessária essa referência do mundo dos mais velhos. O Pai é a referência, a autoridade.”

A quantidade de histórias, vivências e terapias que assistiu, permitem-lhe reforçar esta ferida, mas mais do que isso, constatar que, independentemente do tipo de pai, da ausência ou presença, esta é uma jornada que exige reconhecimento. Pois, não há Pais ausentes.

Não importa o que ele fez ou o que ele não fez, não existe outro homem que deu mais do que ele. Porque ele,  junto com a sua mãe te deram a vida. E esse é o bem maior.”

E esta é a forma de nos conectarmos com a força do Pai! Ir até á conceção, e ver que temos o Pai que merecemos.

A força dos nossos Pais está em superar as feridas que eles carregavam. Essa é a nossa força também. Se reconectar com a força do Pai é ter um masculino saudável. É saber a hora de ser forte e ser um guerreiro, de estabelecer um propósito.

Sem essa conexão com o Pai, não existe masculino saudável”. (Paulo Pimont Berndt)

Pode ver aqui a live de Maria Gorjão Henriques com Paulo Pimont, sobre o tema Relacionamentos Amorosos.