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Relações, Relacionamentos e Eneagrama

Quando em 2004 nasceu a sua primeira filha, Eduardo Torgal decidiu mudar toda a sua vida.
Constatar que estaria longe do exemplo que gostaria de ser, viu-se confrontado com a angustiante questão que lhe faziam em criança: O que queres ser quando fores grande?
E foi assim que em 2004 escolheu passar a sua vida a transformar outras vidas.
Coach de relacionamentos amorosos, especialista em vários programas de televisão da estação televisiva SIC e de inúmeras revistas sobre a sua especialização.
Professor certificado e supervisor de Eneagrama, e estudou vários anos no programa SAT na fundação Claudio Naranjo.
Fundador do Instituto Eneacoaching, foi um dos responsáveis pela divulgação do Eneagrama em Portugal.
Constelador Sistémico pelo Gestalt Institute.
Criador do programa Código do Amor, um programa com uma metodologia criada por si, de transformação das relações amorosas, dedicado a mulheres, para que transformem as suas relações amorosas, mesmo que o homem se recuse a participar.

 

O Eduardo foi um dos nossos convidados do Congresso, que nos brindou com o(s) seus(s) saberes e paixões.
Este artigo reflete as valências do Eduardo, mas acima de tudo reforça o que ele tao bem defende “sem transformação, de nada vale a pena ter objetivos”.
Falar do Eduardo é falar de transformação, de coaching, de processos e claro, de Eneagrama.
Todos os processos por ele orientados têm por trás o Eneagrama, mapa de personalidades, bem como o método Torgal, por ele patenteado.
Com um público maioritariamente feminino, Eduardo Torgal destaca o impacto que a personalidade de cada um de nós tem na forma como nos relacionamos, amamos, nos deixamos amar, e ainda, na forma como vivemos o amor.
Com o Eneagrama é possível conhecer os 9 perfis de personalidade, e assim conhecer melhor as nossas próprias caraterísticas, bem como as das pessoas que nos rodeiam, em especial daquela(s) com quem partilhamos o dia a dia.
As relações e os relacionamentos também podem crescer com o Eneagrama, pois esta tomada de consciência permite corrigir padrões negativos, compreender melhor o parceiro, e identificar a “pessoa certa”, caso andemos à procura do amor.

 

Uma relação tóxica é algo que nos retira a possibilidade de crescer e aprender. Para não nos deixarmos levar, ou até mesmo entrar numa relação destas é preciso CONHECERMO-NOS muito bem.

 

“Quando sabemos quem somos, ao que damos importância, quais são os nossos talentos, os pontos fracos, conseguimos preservar a fronteira entre uma relação feliz, e uma relação tóxica.”

 

Há 3 entidades num relacionamento: o próprio individuo, o parceiro, e a relação. “Se eu e o outro conseguirmos compreender quais são as nossas fronteiras e os nossos talentos, não vamos deixar que nos influenciem nesta matéria”.

 

“Hoje acredito ser de extrema importância que, durante um relacionamento, ambos possam crescer individualmente”.

 

Mas somos nós que temos de nos compreender e de conhecer ao pormenor as nossas capacidades emocionais, pois assim temos a “chave na mão” para não deixar que outras pessoas, mesmo com a melhor das intenções, nos façam acreditar naquilo que não somos.
O Eneagrama é uma chave essencial para a criação de relacionamentos harmoniosos e sustentados, na medida que permite um maior equilíbrio e segurança dentro das relações, aumentando a autoestima, de forma a que cada um se sinta mais confiante em defender o seu pensamento, o seu sentir e a sua forma de agir.
Esta ferramenta milenar, e sistémica, foi trazida para Portugal por Eduardo Torgal.
O mapa de personalidade do Eneagrama é dividido em 9 perfis, e a identificação objetiva de cada um é feita através de um número, de 1 a 9. A escolha de um número, e não de outra forma de identificação, pretende dar importância a um conjunto de organizações matemáticas e de outras revelações que têm a ver com o próprio símbolo.

 

“Eu compreendo que amar é como viver a nossa vida. Se compreendermos o quão importante é amarmos para nos sentirmos vivos, compreendemos muito mais sobre nós, sobre o amor à nossa volta, e sobre a pessoa que está ao nosso lado” (Eduardo Torgal)

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EDUCAÇÃO SISTÉMICA

EDUCAÇÃO/PEDAGOGIA SISTÉMICA , mais uma das ÁREAS do Congresso que surge da análise da Educação baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas.

O Modo como aprendemos, experienciamos e ensinamos a Educação impele-nos para uma transformação…

A Educação Sistémica Humaniza, através da inclusão, da ordem, do equilíbrio.

Professores, alunos e pais têm o seu lugar, e devem honrar os seus papéis, incluindo os sistemas familiares, educativos e institucionais.

O Papel de um professor ou a importância do lugar de um professor é olhar com todo o respeito para os pais dos seus alunos e para eles (crianças, jovens)

O lugar do professor é essa aceitação e esse respeito profundo. Esse olhar de respeito.

Conscientes dos inúmeros desafios desta área, e do poder de resolução decorrentes da Visão e Postura Sistémicas, convidámos Professores e outros elementos da área da Educação,

a estarem presentes nestes 3 dias de Transformação do Inconsciente Coletivo.

Partilhamos convosco a Carta que enviámos.

Se se sentirem tocados por este movimento, se tiverem vontade de saber mais, se o considerarem útil para alguém que conheçam, entrem em contacto connosco ou partilhem esta informação.

Faça parte deste movimento de transformação da Consciência Humana!

#Unidos num Só Coração 

Maria Gorjão Henriques

Assista ao Vídeo da Educação Sistémica

Educação Sistémica

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Franz Ruppert – ” A Psique Humana – Assim Como É Por Dentro, Também É Por Fora”

O Professor Dr. Franz Ruppert, nascido em 1957, é o fundador da Teoria e Terapia do Psicotrauma Orientada à Identidade (IoPT) e criador do Método da Intenção. Ele é o primeiro presidente da Associação para a Promoção do Desenvolvimento da Autonomia Saudável das Pessoas e autor de inúmeras publicações traduzidas em várias línguas, palestras e seminários em todo o mundo.

 Convidamo-lo a partilhar a sua visão sobre a Saúde Sistémica, pelo que generosamente nos deixou este texto sobre a psique humana :

” Como a história humana mostra, a razão que determina se vivemos uma boa vida, ou se nos tornamos um incómodo um para o outro, não reside tanto no nosso ambiente natural como dentro de nós próprios. Por exemplo, as pessoas foram para a guerra não por causa da fome e da escassez de alimentos, mas por razões religiosas e económicas, ou por ideologias pessoais de arruaceiros e belicistas (Harari, 2015).

Mesmo a riqueza material e a satisfação das necessidades básicas de comida, bebida, vestuário e abrigo não conduzem automaticamente a uma maior satisfação com a vida, ou a uma coabitação pacífica.

Se nós, humanos, somos cooperativos ou agressivos depende, em primeira instância, do estado da nossa psique. Seja qual for o aspecto da nossa psique, por isso moldamos o nosso ambiente social e natural. Se reina o caos dentro da nossa psique, organizamos o caos no nosso mundo exterior. Se estivermos em paz dentro da nossa psique, podemos estabelecer condições claras e ordenadas no nosso ambiente: como dentro, assim fora.
Se for esse o caso, há pelo menos uma réstia de esperança para as nossas comunidades sociais.

Pelo menos desta forma, saberíamos no que podemos/podemos trabalhar colectivamente. Teríamos de o fazer:

• aprender a compreender melhor a nossa psique humana, e…
• trabalhar colectiva e individualmente sobre isto…

a fim de utilizar a nossa psique para melhorar a vida em vez de intenções destrutivas, para o nosso próprio bem-estar e benefício.

Essencialmente, a nossa psique humana é uma ferramenta fantástica. Tem uma enorme capacidade e potencial. Pode servir-nos muito bem desde que a alimentemos e cuidemos dela como algo precioso, delicado e valioso. Não é pré-determinada à nascença através de ‘genes’, mas influenciada pelas nossas relações e estilo de vida (Bauer, 2002).

Portanto, se a nossa psique é influenciada por experiências negativas na vida, relações violentas, envenenada por sentimentos insuportáveis e enganada por mal entendidos, a nossa psique pode e deve ser constantemente reajustada.
Se queremos levar uma vida melhor e não continuar a lutar uns contra os outros, temos de compreender melhor porque é que a psique humana se envolve tão facilmente em disputas agressivas nas nossas relações interpessoais. Porque é que a psique investe tantas energias na escalada da dinâmica perpetrador-vítima em vez de procurar soluções construtivas? Temos de aprender a libertar-nos destes laços infinitamente destrutivos. Não devemos permitir ou aceitar tornarmo-nos escravos da nossa psique danificada!

Estou certo agora, devido ao extenso trabalho com pessoas na minha prática psicoterapêutica, e do exame da minha própria psique, que a razão crucial da destrutividade humana é a traumatização da nossa psique. A psique traumatizada leva a uma dinâmica interminável da relação perpetrador-vítima. Se compreendermos, reconhecermos e reconhecermos este facto, torna-se disponível uma forma de sair deste ciclo de destrutividade, mesmo que já esteja em vigor há muito tempo e estejamos habituados a ele. Podemos aprender a estar em sintonia connosco próprios, e conhecer outras pessoas com boa vontade e simpatia, mesmo que tenhamos suportado muito sofrimento na nossa vida, e infligido sofrimento aos outros.

(…)

A principal função da psique humana é tornar a realidade dentro da qual uma pessoa existe acessível:

Realidade Nível 1 é o mundo externo: o mundo concreto (“objectivo”) que consiste em factores físicos e biológicos. Portanto, a terra, as criaturas que nela vivem, e o universo além.

Realidade Nível 2 é o nosso mundo subjectivo interno, como reflexo do mundo objectivo, incluindo a relação do indivíduo com o seu meio, o seu ambiente, a natureza e os laços que ligam cada ser humano a todos os outros seres vivos.

Realidade Nível 3 é o mundo auto-construído dentro da psique que não existe de todo no nível 1.


A psique humana comanda vários canais de entrada em simultâneo, a que chamamos percepção. Estes são os cinco sentidos básicos; ver, ouvir, cheirar, provar e sentir. Estes dão-nos a nossa primeira impressão do que está disponível no nosso mundo exterior. Com isto, contudo, temos de nos lembrar que a nossa percepção é selectiva com base nas nossas necessidades e interesses individuais. Nunca percebemos tudo o que existe; isso
não só seria uma exigência excessiva na nossa psique, mas também seria inútil.

(…)

Além disso, a psique humana possui duas funções especiais significativas que estão em grande parte ausentes noutras formas de vida: o “eu” e a vontade. No decurso do desenvolvimento humano, um “eu” cada vez mais autónomo pode desenvolver-se na psique humana, e com isso uma consciência cada vez mais clara do nosso “eu” (Bauer, 2015).

Através do “Eu”, o ser humano obtém um ponto de referência interior para percepção, sentimento, pensamento, lembrança e acção. A consciência deste “Eu” permite outras opções de auto-reflexão, o desenvolvimento de uma vontade consciente, e a busca focalizada de um processo de autotransformação, por exemplo no contexto da psicoterapia.

A psique humana está em constante desenvolvimento. Serve selectivamente as nossas necessidades, pode adaptar-se bem às circunstâncias externas, e é essencialmente criativa. Por outras palavras, pode sempre encontrar boas soluções para problemas práticos. A ideia de que “as doenças mentais não podem ser alteradas porque são geneticamente determinadas é cientificamente arcaica, e já não corresponde ao conhecimento actual da natureza da psique humana, do cérebro e da genética (Bauer, 2002).

Para ler o artigo na íntegra clique aqui  –  Franz Ruppert – The Human Psyche

O autor deste artigo é também autor dos livros:

“Meu Corpo, Meu Trauma, Meu Eu” disponível em português em   http://liabertuol.com.br/livro

 Who am I in traumatised Society” ainda não disponível em português

Pode também assistir aqui à live de Maria Gorjão Henriques com Franz Ruppert, sobre o tema Saúde Sistémica

Franz Ruppert é também um das palestrantes do Congresso de Consciência Sistémica, no qual facilitará uma palestra e um workshop imersivo na área temática Saúde Sistémica

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O amor entre pais e filhos. Benção ou obstáculo? por Tiiu Bolzmann

Terapeuta Familiar Sistémica, Supervisora Sistémica e Formadora em Aconselhamento Sistémico
As crianças são as pessoas mais próximas que temos.

Um filho, uma filha, são “o nosso sangue”, carregam os nossos genes, a nossa história familiar, e com ela tudo o que somos. Nós próprios também carregamos tudo de nossos pais e eles, por sua vez, carregam tudo dos seus próprios pais.

Também podemos observar essa proximidade na vida quotidiana. Nos filhos, quando os pais adoecem, e a mãe se preocupa com o pai ou o pai com a mãe. Quando os filhos descobrem os problemas que o pai ou a mãe têm no trabalho, com dinheiro, com os vizinhos, com os sogros e, muitas vezes, também quando há desentendimentos entre eles como casal. Na verdade, as crianças sabem tudo sobre seus pais.

O vínculo entre pais e filhos é o vínculo mais forte que existe e, embora não estejam diretamente envolvidos nas relações íntimas do casal, eles apercebem-se sempre quando algo acontece, e preocupam-se.

Todas as crianças estão cientes dos seus pais. Não importa a idade deles (nem dos filhos, nem dos pais). Cada época tem a sua própria expressão de preocupação. O bebé nos primeiros meses não dorme, por eles; na infância, a criança adoece, para eles; na adolescência, eles lutam por eles; e em todos os casos esta preocupação torna-se um problema para o filho, ou filha, na vida adulta.

O amor incondicional que temos pelos nossos pais leva-nos a procurar, a todo custo, uma solução para eles.

E assim desgastamo-nos, porque não percebemos que a solução não está nas nossas mãos.

Todas as criança querem que os pais estejam bem e que fiquem juntos para o resto da vida.

Esse desejo é intrínseco à própria vida, porque somos, desde a conceção, nossos pais.

Toda a criança carrega os dois, a mãe e o próprio pai, não é possível escapar a esta fusão.

É por isso que vivemos com o desejo de que os dois permaneçam unidos para sempre. Em muitos casos, os filhos percebem quando o relacionamento entre os pais se esgota, e entendem que seria melhor a separação. Mas esse “entendimento” leva-os de volta ao conflito, porque sabem que essa separação é boa para um, mas difícil para o outro. Esta dinâmica de ver que um dos pais se sente bem, e que o outro se sente mal, é o que experimentamos desde sempre, mesmo antes de entendermos que, ao longo da vida, nos sentimos “ao serviço” dos nossos pais de diferentes formas. 

Lembro-me muito bem que meu padrasto, quando discutia com minha mãe (por que motivo? Nunca soube), ficava muito tempo sem falar com ela. Não me lembro se eram dias, semanas ou meses, a mim parecia-me uma eternidade. Ao jantar ele dizia: “diga a sua mãe que não quero mais sopa.” Eu olhava para um e para o outro. Não sabia o que fazer. Eu sentia-me muito mal pois sabia que ela o tinha escutado e, se eu atendesse ao seu pedido parecia mostrar que estava a tomar partido dele.  Mas, em contrapartida, se eu não falasse, eu também me sentia muito mal com meu padrasto, por estar a desobedecer-lhe e, além disso, a mostrar tomar partido da minha mãe. 

Foi um jogo terrível para mim e, embora ele não fosse meu pai biológico, ficava sempre com o meu coração partido. Eu sabia que minha mãe o amava, e que ele amava a minha mãe. Não conseguia entender como duas pessoas que se amavam se podiam magoar tanto.

Não importa se os filhos estão presentes nas brigas dos pais ou não, eles percebem que algo está a acontecer e que esse “algo” pode ser perigoso. A mãe e o pai distanciam-se, e o filho percebe isso como uma ameaça contra si mesmo, contra sua própria integridade.

O que é verdadeiramente trágico é que os filhos nunca estão presentes nos momentos em que os pais se voltam a aproximar.

Principalmente quando a reaproximação se dá na intimidade. Assim, os filhos vivenciam apenas o conflito, mas não estão presentes na reconciliação. Eles ficam com o “mal” que um fez ao outro, e então questionam essa reconciliação, porque não entendem como podem ficar bem depois do que aconteceu. 

Uma situação especialmente desagradável é quando um dos pais dá informações íntimas sobre o outro progenitor ao filho, algo que deveria permanecer apenas entre os pais. Nesse caso, podemos perder o respeito por eles.

Essas informações invadem muito a nossa alma e, em muitos casos, não podemos conviver com o preconceito que isso gera sem nos ferirmos.

Na nossa alma não podemos suportar que um de nossos pais perca a dignidade.

De repente, sentimo-nos “obrigados” a julgar e a tomar partido de um, em detrimento do outro.

Essa divisão prejudica a alma do filho e, nos casos mais extremos, deixa marcas para toda a vida. 

Quanto nos teria ajudado entender que os conflitos do casal fazem parte da vida, que não devem ser evitados, mas resolvidos?

Nas famílias que têm uma cultura de permitir conflitos e buscar soluções, essa ameaça angustiante não ocorre. Para os filhos é de grande ajuda quando os pais lhes mostram que, apesar da discordância entre eles, eles podem continuar a se sentir seguros.  A solução não é desfazer o conflito, mas respeitá-lo e deixá-lo nas mãos daqueles a quem pertence.  Mas este entendimento surge com a maturidade. Quando somos mais novos não temos recursos para fazer essas reflexões sobre relacionamentos.

Podemos passar a vida a reclamar dos danos que os nossos pais nos causaram, e permanecermos como vítimas dos acontecimentos ocorridos na nossa infância e adolescência. Porém, desta forma, o nosso comportamento remete para a infância, permanecemos crianças.

Perdemos poder quando não vemos que já somos responsáveis ​​pelas nossas vidas e que, como adultos, temos a hipótese de “digerir” esses eventos traumáticos e sair dos “enredos”.

Claro que dói. Em primeiro lugar, dói quando voltamos a sentir as emoções oprimidas daquela época. Em segundo lugar, dói desistir do desejo de ser diferente. Então dói abrir mão do “direito de ficar com raiva e indignado” com os pais. Finalmente, dói perceber o quanto desse comportamento foi adotado por nós nos nossos relacionamentos com nossos próprios filhos. No trabalho sistémico com as Constelações Familiares podemos colocar-nos como adultos no nosso lugar de crianças. E assim olhar para os nossos pais e ver a dignidade de ambos, com as suas possibilidades e limitações

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Direito Sistémico

 

 

O Direito sistémico, uma das ÁREAS do Congresso, surgiu da análise do Direito sob uma ótica baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas,

conforme demonstram as constelações familiares desenvolvidas por Hellinger.

 

Conscientes dos inúmeros desafios da área judicial e do poder de resolução decorrentes desta Visão e Postura Sistémicas, convidámos inúmeros Juízes, Advogados

e outros elementos da área da Justiça, a estarem presentes nestes 3 dias de Transformação do Inconsciente Coletivo.

Partilhamos convosco a Carta que enviámos.

Se se sentirem tocados por este movimento, se tiverem vontade de saber mais, se considerarem útil para alguém que conheçam, entrem em contacto connosco ou partilhem esta informação.

 

Faça parte deste movimento de transformação da Consciência Humana!

Unidos num Só Coração 

Maria Gorjão Henriques

 

 

 

 

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SOLIDARIEDADE por Maria Gorjão Henriques

Maria Gorjão Henriques

Mentora e organizadora do I e II Congresso Internacional de Consciência Sistémica
realizados em Portugal.

O conceito de Solidariedade implica ter um espaço interno para incluir o outro dentro de nós, mas, para que isso aconteça da forma certa, o outro precisa de ser incluído com total aceitação, e sem que queiramos mudar nada na sua dimensão humana, familiar, social ou racial.

A Solidariedade verdadeira implica perguntar, organizar, materializar e proporcionar ao outro o que ele precisa, à maneira dele e respeitando a sua cultura e modo de Vida. Esse caminho interno é longo e pressupõe algum desenvolvimento pessoal e espiritual, para que saibamos caminhar da empatia até à compaixão, com muita humildade, sem nos substituirmos ou enfraquecermos a dignidade.

Desde a conceção até ao nascimento, tudo tem uma ordem.

Como seres humanos, estamos vinculados a uma imensidão de sistemas. Desde o nosso corpo, à família, ao país, ao continente que pertencemos. Todos eles formam um sistema integrado e interrelacionado que nos influencia, sem estarmos conscientes.

Precisamos de aprender a viver em função deste entendimento para integrarmos, “da pele para dentro”, que tudo o que acontece com o outro também nos diz respeito e, ao mesmo tempo, influencia o desenvolvimento da consciência coletiva, a partir da

qual todos nós nos alimentamos, nos níveis mais profundos do nosso Ser.

Ainda somos muito pouco conscientes das reais motivações que nos fazem abraçar certos projetos, tomar determinadas decisões e até mesmo escolher e determinar o que tantas vezes chamamos de Missão de Vida.

A questão de fundo prende-se com as reais motivações que sentimos quando decidimos querer Ser Solidários, e oferecer o nosso tempo e energia a alguém, ou mesmo a uma causa ou projeto de Solidariedade Social?

Temos vários níveis de lealdades que nos movem até sermos capazes de discernir o que, na nossa pureza e essência, se expressa através de nós.

Até conseguirmos ser lúcidos e conscientes de todas estas influências sistémicas somos movidos e motivados a atuar através de vários níveis de lealdades, independentemente de algumas partes de nós poderem estar ao serviço do algo maior, a partir do qual a vibração da nossa Alma se expressa. Na realidade, somos movidos por vários níveis de consciência, e cada um desses níveis está ao serviço da completude, da inclusão e da necessidade de equilíbrio que em algum momento do tempo foi perdida.

Podemos sentir-nos chamados a viver a nossa vida através de projetos de solidariedade, mas é importante observar que existem vários níveis de motivação que nos podem convocar a viver dessa forma:

  1. A nossa Alma ter o chamamento natural inato para movimentos de solidariedade, porque nascemos com um determinado propósito e sentimo-nos movidos, empurrados, para que a vida se expresse através da forma como nos doamos. Então, permitimos que o que se expressa através de nós, reverbere para fora de forma natural;
  2. Sentirmo-nos motivados a envolvermo-nos nesses projetos como uma forma de compensação para com alguém, ou para com uma memória familiar de injustiça, humilhação, pobreza, vazio, destinos difíceis ou algum evento marcante da nossa família de origem que, de alguma forma, espiamos através da maneira como nos doamos. Neste caso, procuramos compensar, através dos outros, essas memórias próprias do clã.
  3. Alguns traumas acumulados da nossa infância, e, por sentimentos de carência, precisarmos de dar aos outros o que na verdade não tomamos para nós ou de nós próprios.

Nos últimos dois casos, a necessidade de reconhecimento e de compensação servem de motor para que a pessoa se dedique, de corpo e Alma, a uma causa que, na verdade, mais não é do que a necessidade de devolver ao clã a sua dignidade ou o sentimento de inclusão, de forma a ser vista por si mesma.

É possível que em cada um de nós resida um pouco de cada uma destas versões e motivações mais inconscientes, que a dança da Vida nos mostra através dos véus de ilusões que criamos, e que vamos derretendo à medida que evoluímos e lidamos com a princípio da realidade.

É sempre mais fácil projetarmo-nos fora de nós, e vermos nos outros as suas dores e vazios, do que mergulhar na verdadeira solidariedade para connosco próprios, e assumirmos que essas dores também são nossas.

 

A vibração do coração precisa de ter o seu espaço interior para reverberar para o exterior.

Seremos todos capazes de ser solidários no dia em que aprendermos a viver pacificados em nós. Nessa altura, não será precisa solidariedade, porque todo o Ser Humano estará a ocupar o seu lugar, e não haverá desigualdades sociais.

Até lá, só posso expressar a minha profunda gratidão por todos nos sentirmos empurrados a compensar dores e lealdades inconscientes desta forma “solidária”. Apesar da projeção, muita coisa é feita, e muitas Vidas encontram um porto seguro!!!

Bem-haja à Vida!

Maria Gorjão Henriques 

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As CONSTELAÇÕES ORGANIZACIONAIS: uma tecnologia do futuro, por GUILLERMO ECHEGARAY INDA

Guillermo Echegaray

GUILLERMO ECHEGARAY INDA é doutor em Filosofia, psicólogo e diretor do centro

Guillermo Echegaray-Oficina de Psicologia. Consultor Sistémico, Constelador Organizacional e Estrutural.

As constelações organizacionais são uma nova ferramenta que permite aceder à dinâmica sistémica que se desenvolve nas empresas. Isso tem a ver com o papel que desempenham no método e com os princípios sistémicos do direito de pertencer, ordem e equilíbrio entre dar e receber.

O procedimento singular das constelações organizacionais permite um acesso à experiência real das empresas,

de outra forma inatingível. Pode-se por isso prever o importante papel que as constelações terão no futuro.

As empresas e organizações estão cheias de planos, produtos, métodos de consultoria e análise, capazes de dissecar múltiplos clientes com potencial. Mas geralmente muitos destes clientes naufragam. O “ponto Cego” da ciência contemporânea é a experiência, o neurobiologista chileno Francisco Varela costumava dizer: “os nossos métodos de análise estão cheias de fatos, números, apresentações brilhantes em PowerPoint, mas na maioria das vezes chegam muito tarde, quando a experiência já ocorreu, e em muitas ocasiões, nada mais são do que “análise / paralisia”.  

Precisamos de uma nova qualidade de atenção e intenção para aplicar às nossas empresas e organizações.  

O que diferencia uma empresa ou organização bem-sucedida, de outra que fracassa, não é o que ela faz ou como o faz, mas a fonte, o lugar íntimo de onde agir.  

Scharmer observou como as interações que ocorrem nas organizações podem ser agrupadas em quatro modelos:

1. Modelo de “download”: o que ocorre quando aplicamos um esquema já conhecido e reconfirmamos nosso;

2. Modelo factual: prestamos atenção aos fatos e os dados que confirmam ou refutam informações anteriores.

3. Modelo empático: onde interagimos e com um “coração aberto” e entramos no mundo do outro ou no outro.

4. Modelo gerador: quando nos conectamos com um espaço mais amplo e profundo de ação, e observamos e ouvimos o campo emergente da máxima possibilidade futura.

Raramente as nossas instituições e organizações vão além do modelo 2 ou, quando muito, chegam ao 3.

O mesmo Scharmer aponta que as constelações organizacionais são uma ferramenta particularmente adequada para “testemunhar” a esta experiência,e chegar mais perto do conhecimento das organizações que o modelo 4 pode possibilitar.

As constelações organizacionais permitem aceder a problemas sistémicos de raiz, ao abrir uma porta para o

expressão dessa possibilidade futura emergente.

Mas o que significa “problemas sistémicos de raiz”?

Todos nós entendemos o que numa organização ou empresa saudável os funcionários se sentem bem e trabalhamde forma eficiente. A organização atende aos objetivos para os quais foi inicialmente criada, e há uma troca entre a sociedade e o “mundo exterior.

Em suma, uma organização “saudável” é aquela em que alguém gostaria de trabalhar. Onde podemos ouvir: “Eu sinto-me no meu lugar”. “Há energia aqui.”. “Nós sabemos o que estamos a fazer neste negócio”.

O oposto seriam expressões como: “Há algo de errado aqui.” “Temos problemas de comunicação”. “Eu não sinto que posso desenvolver todas as minhas capacidades nesta empresa”.

Dito assim, pode parecer que é uma questão de transformar uma organização problemática, numa saudável. Seria uma questão de resolver questões pessoais ou problemas práticos: comunicação, motivação, desempenho, etc. No entanto, o pensamento sistémico ensina-nos a ver que o todo é mais do que a soma das partes, e que uma organização é uma entidade viva e, como tal, a sua dinâmica influencia totalmente os indivíduos que a constituem.

Assim, há que compreender a dinâmica que está na base dos problemas da organização, pois só assim podemos encontrar uma saída para estas questões.

  • Quantos desses problemas de comunicação ou desmotivação têm raízes sistémicas?

  • Como explicar que um profissional inteligente, preparado e competente, numa dada organização se comporte como um inútil, enquanto noutra semelhante pode dar 120 por cento de suas capacidades?

Aqui está uma dinâmica sistémica típica!

Pode continuar a ler o artigo (na íntegra) aqui. constelações organizacionais por G.Echegaray

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O DIREITO SISTÉMICO É UMA LUZ NO CAMPO DOS MEIOS ADEQUADOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS por Sami Storch

A Visão do DIREITO SISTÉMICO, e a sua ação,  por Sami Storch.
Sami Storch é Juiz de Direito no Estado da Bahia, Mestre em Administração Pública e Governo e autor da expressão “Direito Sistémico” e do blog com o mesmo nome.
Convidámo-lo a escrever um pouco sobre a “sua  área”,
pelo que abaixo publicamos um dos textos que gentilmente nos enviou. 

(…) Há muito que se observa a incapacidade do Poder Judiciário em processar e julgar a quantidade de ações que lhe são apresentadas. A estrutura pessoal e material existente não é suficiente.

Por outro lado, já é reconhecida no meio jurídico e na sociedade, a necessidade de novos métodos de tratamento dos conflitos. Métodos que permitam não apenas uma decisão judicial que estabeleça, como deve ser, a solução para cada conflito — dizendo às partes quais os respetivos direitos e obrigações , mas também dar paz aos envolvidos. Permitindo que eles mantenham um bom relacionamento futuro e, inclusive, tratem de forma amigável outras questões que possam surgir.

A tradicional forma de lidar com conflitos no Sistema Judiciário já não é vista como a mais eficiente.

Uma sentença de mérito, proferida pelo juiz, quase sempre gera inconformismo e, não raro, desagrada a ambas as partes. Em muitos casos enseja a interposição de recursos e manobras processuais, ou extraprocessuais, que dificultam a execução. Como consequência, a pendência estende-se no tempo, gerando custos ao Estado, incerteza e sofrimento para as partes envolvidas.

Tal fenómeno é ainda mais visível nos conflitos de ordem familiar, que têm origem quase sempre numa história de amor, e geralmente envolve filhos.

A instrução processual é nociva para todos os envolvidos.

Cada testemunha que depõe a favor de uma parte pode trazer à tona fatos comprometedores relativos à outra, alimentando ressentimento e dificultando a paz. Assim, mesmo depois de julgada a ação, esgotados os recursos e efetivada a sentença, o conflito permanece.

A conciliação no âmbito judicial está instituída há bastante tempo na legislação brasileira, e é largamente aplicada nas causas cíveis, com mais ênfase naquelas relativas às Famílias.

Também para o tratamento relativo aos crimes de menor potencial ofensivo, a mesma lei prevê a composição civil dos danos como forma de resolver conflitos, evitando-se uma ação penal. Mas outros métodos também se tornam necessários para desafogar os tribunais e resolver os conflitos.

Há 12 anos que utilizo técnicas de constelações familiares sistémicas, obtendo bons resultados na facilitação das conciliações e na busca de soluções que tragam paz aos envolvidos nos conflitos submetidos à Justiça, em processos da “Vara de Família e Sucessões”, e também no tratamento de questões relativas à infância e juventude e à área criminal, mesmo em casos considerados bastante difíceis.

Trata-se de uma abordagem originalmente utilizada como método terapêutico pelo terapeuta e filósofo alemão Bert Hellinger, que a partir das constelações familiares desenvolveu uma ciência dos relacionamentos humanos, ao descobrir algumas ordens (leis sistémicas) que regem as relações. Essa ciência foi batizada pelo seu autor com o nome de Hellinger Sciencia.

O conhecimento de tais ordens conduz-nos a uma nova visão do Direito, e de como as leis podem ser elaboradas e aplicadas de modo a trazerem paz às relações.

A expressão “Direito Sistémico”, termo cunhado por mim quando lancei o blog Direito Sistémico (direitosistemico.wordpress.com), surgiu da análise do Direito sob uma ótica baseada nas ordens superiores que regem as relações humanas, conforme demonstram as constelações familiares desenvolvidas por Hellinger.

Segundo essa abordagem, diversos problemas enfrentados por um indivíduo (bloqueios, traumas e dificuldades de relacionamento, por exemplo) podem derivar de fatos graves ocorridos no passado não só do próprio indivíduo, mas também de sua família, em gerações anteriores, e que deixaram uma marca no sistema familiar. Mortes trágicas ou prematuras, abandonos, doenças graves, segredos, crimes, imigrações, relacionamentos desfeitos de forma “mal resolvida” e abortos são alguns dos acontecimentos que podem gerar emaranhamentos no sistema familiar, causando dificuldades em seus membros, mesmo em gerações futuras.

As constelações familiares consistem num trabalho onde pessoas são convidadas a representar membros da família de uma outra pessoa (o cliente), e, ao serem posicionadas umas em relação às outras, sentem como se fossem as próprias pessoas representadas, expressando os seus sentimentos de uma forma impressionante, ainda que não as conheçam.

Vêm à tona as dinâmicas ocultas no sistema do cliente, que lhe causam os transtornos, mesmo que relativas a fatos ocorridos em gerações passadas, inclusive fatos que ele desconhece. Podem-se propor frases e movimentos que desfaçam os emaranhamentos, restabelecendo-se a ordem, unindo os que no passado foram separados, proporcionando alívio a todos os membros da família e fazendo desaparecer a necessidade inconsciente do conflito, trazendo paz às relações.

“O Direito sistémico vê as partes em conflito como membros de um mesmo sistema, e ao mesmo tempo vê cada uma delas vinculada a outros sistemas dos quais simultaneamente fazem parte (família, categoria profissional, etnia, religião etc.) e procura encontrar uma solução que, considerando todo esse contexto, traga maior equilíbrio.”

Há temas que se apresentam com frequência: como lidar com os filhos na separação, as causas e soluções para a violência doméstica, questões relativas à guarda e alienação parental, problemas decorrentes do vício (em geral relacionado a dificuldades na relação com o pai), litígios em inventários nos quais se observa alguém que foi excluído ou desconsiderado no passado familiar, entre outros. Cada um dos presentes, mesmo os que se apresentem apenas como vítimas, pode frequentemente perceber de forma vivenciada que há algo na sua própria postura ou comportamento que, mesmo inconscientemente, estava a contribuir para a situação conflituosa. Essa perceção, por si só, é significativa e naturalmente favorece a solução.

Em ações de família, muitas vezes uma constelação simples, colocando representantes para o casal em conflito e os filhos, é suficiente para evidenciar a existência de dinâmicas como a alienação parental e o uso dos filhos como intermediários nos ataques mútuos, entre outros emaranhamentos possíveis. Essas explicações têm se mostrado eficazes na mediação de conflitos familiares e, em cerca 90% dos casos, as partes reduzem resistências e chegam a um acordo.

Em alguns tribunais, no Ministério Público e na Defensoria Pública, têm sido realizadas experiências na área criminal, com o objetivo de facilitar a pacificação dos conflitos e a melhoria dos relacionamentos, incluindo réu, vítima e respetivas famílias. As constelações têm servido de prática auxiliar no trabalho com a Justiça restaurativa, ajudando a preparar as partes e a comunidade envolvidas, para que possam dar um encaminhamento adequado à questão.

No âmbito penitenciário, multiplicam-se as práticas, visando proporcionar aos presos uma oportunidade de compreender as dinâmicas ocultas por trás do padrão criminoso, e olhar para onde está o amor que, de forma cega, os fez repetir os comportamentos antissociais já ocorridos em gerações passadas, na história da própria família.

As reações dos participantes têm indicado resultados notáveis.

Independentemente da aplicação da lei penal, acredito que as constelações possam reduzir as reincidências, auxiliar o agressor a cumprir a pena de forma mais tranquila e com mais aceitação, aliviar a dor da vítima e, quem sabe, desemaranhar o sistema para que não seja necessária outra pessoa da família se envolver novamente em crimes, como agressor ou vítima, por força da mesma dinâmica sistémica.

Durante e após o trabalho com constelações, os participantes têm demonstrado boa absorção dos assuntos tratados, um maior respeito e consideração em relação à outra parte envolvida, além da vontade de conciliar — o que se comprova também com os resultados das audiências realizadas semanas depois e com os relatos das partes e dos advogados da comarca.

SAMI STORCH

SAMI STORCH é também um dos palestrantes do CONGRESSO DE CONSCIÊNCIA SISTÉMICA, 
e estará presente em DUAS palestras na área temática DIREITO SISTÉMICO.

Assista também à live de SAMIT STORCH com a fundadora do Congresso, Maria Gorjão Henriques,

sobre o tema DIREITO SISTÉMICO.

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“22 de Abril: Um Dia Para Lembrar Quem Somos” por Daniela Migliari

Daniela Migliari é jornalista e escritora, nascida em Brasília, encontrou no ofício de escrever uma forma amorosa de entrar em contato consigo mesma, com toda a riqueza e complexidade que encerra a experiência humana. Desde 2016, estuda as Constelações Familiares como pós-graduanda da Hellingerschule.

Convidamo-la a partilhar um texto sobre o Dia da Terra ( 22 de Abril) , pelo que ela generosamente nos deixa este contributo:

“No dia 22 de abril, é celebrado o Dia da Terra. Ao falar deste planeta azul, cujos continentes encontram-se entre a imensidão de suas águas, recorro à imagem dos oceanos para ampliar algumas compreensões:


Os peixes não compreendem a água em que estão mergulhados: simplesmente fluem por ela, e existem em função de tudo que ela lhes provê e proporciona. Assim como eles, nós, homo sapiens, também habitamos esta Terra com limitada consciência do que isso representa para a própria existência.

Esta percepção parece repetir, num ciclo mais amplo, o caminho que uma célula recém-fecundada percorre até perceber-se como um ser humano adulto, feito e refletido acerca do que significa ter nascido dos seus pais e estar vivo. Faz parte da condição humana lidar, aos poucos, com aquilo que é e ainda não foi visto: a amplitude da realidade!

A noção de que os seres humanos estão separados da Natureza, polarizados uns dos outros, parece ignorar que a Terra é redonda, gira e que cada ser vivente – literal e concretamente – caminha por terrenos onde toda e qualquer vida que já existiu está depositada em camadas e camadas de pó, de matéria orgânica, que a todos sustenta e provê com alimentos.

Já parou pra pensar que nós estamos em pé, sustentados sobre os nossos antepassados?

Que andamos sobre eles e sobre toda a Vida que permeou suas existências? 

Sejam estas vidas provenientes do reino hominal, animal, vegetal ou mineral?

Já nos demos conta de que tudo que comemos diariamente provém deste mesmo terreno em constante transformação?

Nos percebemos e nos distinguimos na relação

Qual é o referencial que, na prática e no dia a dia, auxilia a ampliar a visão e ter um tanto mais de consciência sobre quem somos e sobre o Todo? É o campo das relações! 

Quando olho para o outro me percebo como alguém distinto dele. É na relação que nos descobrimos mutuamente, como seres vivos, em atividades diversas e em trocas constantes. Em comum, somos todos filhos desta mesma Terra e estamos naturalmente submetidos às Suas leis – princípios da Vida vivenciados em Suas diferentes expressões.

Assim como a gravidade, o magnetismo e a eletricidade têm suas manifestações peculiares, cujos efeitos são observados por pessoas atentas àquilo que se mostra, o mesmo se dá no campo das relações. Seus efeitos foram e são observados e decodificados para a humanidade por meio da atuação de Suas leis. É na referência do diferente que percebemos quem somos com mais clareza. E o que vemos ao olhar de forma mais ampla para nós mesmos e para outros seres?

Vemos que também somos Natureza, frutos deste orbe cuja idade de 4,5 bilhões de anos é curiosamente calculada, também, em função de algo visto em… relação!

A datação de Sua existência é feita por meio dos átomos de urânio encontrados em fragmentos de meteoritos vindos de outras partes do Universo. Segundo cientistas, isso acontece pois é muito difícil realizar este cálculo pelas rochas exclusivamente terráqueas, posto que estão em constante transformação e isso dificulta o estabelecimento de referências comparativas dos elementos que auxiliam a colocar o tempo em perspectiva.

Portanto, quando Bert Hellinger afirma: “Não somos filhos dos nossos pais; nós somos os nossos pais” ele seguramente nos levou para o lugar mais próximo possível que nos leva a compreender que não somos simplesmente terráqueos: somos a Terra em Si mesma e em constante transformação.

Somos frutos da diversidade deste imenso Ser Vivo, Se experimentando ao longo da Sua história, em ciclos naturais e contínuos na imensidão deste planeta que, a cada medição de urânio (e já houve muitas) se descobre mais e mais antigo.

Um dia para lembrar, também, o Brasil em mim

O dia 22 de abril também é uma data que convida a olhar para a origem do Brasil, esta nação filha do encontro de dois sistemas: europeus e povos indígenas. Foi neste dia, no ano de 1500, que exploradores portugueses descobriram e **também foram descobertos** por nativos indígenas que viviam neste conjunto de terras, posteriormente denominado Brasil.

Encontrar a essencialidade que une ambos – filhos do mesmo planeta; compostos da mesma constituição humana em sangue, ossos, músculos e órgãos; nascidos igualmente de uma mãe e um pai; com suas vidas expressas pelo bombeamento no tum-tum de tão semelhante coração… é encontrar a conexão que é, sempre esteve lá e une a todos: a humanidade em nós!

Ao olhar para tudo como foi, temos a oportunidade de nos conectar com o Essencial. Para compreender isso melhor, recorro ao que acontece no encontro de um casal, por exemplo. Dois sistemas passam a interagir e ambos se enriquecem no complemento daquilo que é diferente. Para além da paixão à primeira vista, é na abertura para o novo que ambos vão além do que foram até aquele encontro.

A união entre dois seres diferentes gera histórias complexas, que envolvem muito amor e muita dor de amor. Os filhos deste encontro passam boa parte da vida “des-cobrindo” as riquezas que os habitam: incluem excluídos, reordenam hierarquias invertidas, equilibram trocas provenientes desses dois sistemas. Trata-se de um caminho individual e único para cada ser… Um ponto, porém, é consenso na visão sistêmica da Vida:

Julgar, condenar e excluir um sistema em detrimento do outro gera dor, desequilíbrio e incompletude. Filhos precisam de ambos e se apropriam desta inteireza em si mesmo a cada passo que dão no caminho. Como alguém que desembrulha um presente aos poucos, a cada camada, se dá conta do quão belo é. Até perceber-se assim, grato e a cada dia mais inteiro, o ser humano vive em movimentos de compensação da união destes dois sistemas: nesta busca, cria uma oposição, então algo novo surge e se expande dali…

Uma nova aventura se inicia

Enriquecido de ambos os sistemas, chega o tempo em que o filho percebe que já é hora de dar-se conta de que cresceu; que não lhe cabe ser o juiz dos pais e suas histórias; que graças a esta união tem a vida que tem; que se envolver e olhar por mais tempo para a dor dos pais o impede de viver a vida que recebeu; que alguns assuntos são grandes e pesados demais para ele – o pequeno diante desta relação; que ao se retirar do meio dela, ele pode crescer e ter a certeza de que já não cabe mais na “cama dos pais” – e que permanecer ali está fora de lugar.

Cada filho, a seu tempo, é convidado – pela vida e por si mesmo – a despedir-se da cama dos pais, a ocupar o seu próprio lugar e seguir adiante com todos no coração…

Que cada ser, a seu tempo, possa amar a sua própria existência e ir além do amor à primeira vista: ampliando seu olhar para as belezas e mistérios da segunda, terceira, quarta, quinta, N vistas…

Que a cada ampliação de olhar, possamos ver a beleza do que somos: herdeiros de nós mesmos e da história sagrada da Mãe-Terra, aquecida e vivificada pelos raios do misterioso, distante e, ainda assim, tão presente Pai-Sol!

Filhos estrelas que somos, nos percebemos em meio às oitavas que se desvelam no macrocosmo da Vida. Ante a Sua grandeza, nos percebemos poeira cósmica e, também, filhos da Existência em Si mesma, cidadãos do Universo! Fato expresso na belíssima afirmação de Carl Edward Sagan: “Somos feitos de poeira de estrelas. Nós somos uma maneira de o cosmos se autoconhecer”… E se relacionar…”

Fatos concretos acerca das datas mencionadas no texto: 

OBS 1: O Dia da Terra, cuja finalidade é criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger a Terra, foi criado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, no dia 22 de Abril de 1970.

OBS 2: A data da “descoberta ou descobrimento do Brasil” refere-se à descoberta por europeus do território atualmente conhecido como Brasil. Este momento é muitas vezes entendido como sendo o do avistamento da terra que então denominaram por Ilha de Vera Cruz, nas imediações do Monte Pascoal, pela armada comandada por Pedro Álvares Cabral, ocorrida no dia 22 de abril de 1500. A nomenclatura deste evento histórico considera o ponto de vista dos povos do chamado “Velho Mundo”, que tinham registros na forma de História (escrita), e portanto se trata de uma concepção de História contada por europeus (eurocentrada). Marca-se, então, o início de uma colonização portuguesa em territórios que posteriormente formaram o Brasil, em toda a complexidade dos fatos, narrativas e interpretações que se desdobraram dali em diante.

"22 de Abril: Um Dia Para Lembrar Quem Somos" por Daniela Migliari
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O Sal da Vida – Pedagogia Sistémica, um Aliado do Ato Educativo, por Antonia del Castillo

Antonia Del Castillo é Formadora e Facilitadora de Constelações, Presidente de La Montera e Pedagogia Sistémica, bem como membro Didacta da AECFS.

Convidamo-la a partilhar a sua visão sobre a Pedagogia Sistémica e a importância de ter uma visão sistémica e integrada sobre este tema, pelo que ela generosamente nos deixa este texto:

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O Sal da Vida

Pedagogia Sistémica, um Aliado do Ato Educativo

“Era a última turma do curso, as notas já estavam afixadas, o livro estava terminado e perguntei-me o que poderia fazer naquela hora em que estava com o grupo do 3º ano do Ensino Secundário (14-15 anos de idade) que nos iria enriquecer a todos; no momento em que os tirei da sua habitual sala de aula e os levei para a sala de Biologia, onde poderíamos assistir a um documentário sobre a natureza. Quando entrámos, esperei que se sentassem e olhei-os, e então esta pergunta veio-me à cabeça:

O que aprenderam nesta disciplina que vos sirva para a vida? E esclareci: Que sentimentos têm neste momento do fim do curso, depois de tantas horas passadas entre vós e com os professores? Qual seria o mais significativo?

Começaram a falar e a expressar o que sentiam, uma estudante comentou que o mais significativo era que a forma de se relacionarem com os seus amigos tinha mudado, sentiu que agora era mais profunda e os laços mais fortes. Outra disse que tinha encontrado o amor e os restantes comentavam espontânea e sinceramente, criando um clima de respeito e confiança; Finalmente, uma estudante sentiu a necessidade de expressar algo que a tinha feito sentir-se mal, a chegada em Maio da  sua tutora após ter estado de licença durante vários meses (a ausência da tutora deveu-se à morte do seu filho de quatro anos após uma longa doença), sentiu que estava muito “branda”.

Quando ouvi esta palavra, apercebi-me da situação e respondi-lhe:

– Claro, como pode ela não ser “monótona” se perdeu o sal da sua vida, a coisa que mais amava, o seu filho!

Naquele momento, houve um silêncio impressionante. Continuei a falar e disse-lhes: “conseguem imaginar como se deve sentir uma mãe quando perdeu um filho? Conseguem apreciar a força da vossa professora quando ela vai trabalhar e conhece os seus alunos e percebe que o seu filho já não terá a vossa idade?”

Esta é uma lição de vida que o seu professor lhe dá e pode sentir-se privilegiado porque, de certa forma, estar ao lado da dor de uma pessoa é partilhá-la com ela e isto não é fácil e também fez a sua parte para a ajudar a voltar à vida.

A estudante disse que estava a ficar emocionada e que não o tinha realmente visto dessa forma, os outros colegas acenaram com a cabeça, alguns disseram que tiverram “arrepios” e um estudante, muito emocionado e com lágrimas nos olhos, disse que compreendia muito bem o professor, porque tinha perdido um irmão mais velho e que sentia muito a sua falta.

Os seus colegas de turma não sabiam desta circunstância de Josué. Disse-lhe que a vida já lhe tinha apresentado uma situação difícil e que isto o tornava mais forte. Disse-lhe para pensar no que o seu irmão iria querer para ele e Joshua respondeu, que o seu irmão ficaria feliz em vê-lo feliz e em estudar como ele estava a fazer.

Outra estudante, Aisha, quis expressar como tinha sido difícil para ela durante a longa doença do seu pai, que vivia em Marrocos, uma vez que ela estava separada dele aqui em Espanha.

Terminámos, cada um dizendo um sentimento e desejando aos outros um bom Verão.
Para mim, esta foi a melhor aula que pude dar naquele dia, simplesmente propus uma pergunta e eles fizeram o resto. Soube bem abrir o espaço aos sentimentos e poder oferecer-lhes outra visão da situação com o tutor.

Os estudantes precisam ser orientados a nomear o que estão a sentir e a aceitar que nenhum sentimento é errado. Só têm de o colocar no seu lugar e encontrar o seu significado. A Pedagogia Sistémica com a abordagem de Bert Hellinger proporciona um olhar integrador que ordena e simplifica a complexidade do acto educativo e as relações nos sistemas humanos.

A visão da Pedagogia Sistémica permeou toda a sala de aula abrindo os corações de todos, uma vez que se trata de um olhar amoroso, que não julga e que, por sua vez, permite que a gratidão surja.

VIVER É APRENDER

APRENDE-SE QUANDO SE TOMA

ACEITA-O QUANDO LHE É GRATO”

Pode também assistir aqui à live de Maria Gorjão Henriques com Antonia del Castillo , sobre Educação  Sistémica – “Una mirada amorosa a la Educación”.

Antonia del Castillo é também uma das palestrantes do Congresso de Consciência Sistémica, no qual facilitará uma palestra e um workshop imersivo na área temática Educação Sistémica,