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A Importância do Processo de Luto – Jean-Guillaume Salles

Jean-Guillaume Salles nasceu em 13 de abril de 1971, em França.
Cientista de formação, licenciado em Geofísica, encontra o seu verdadeiro caminho: a relação de ajuda, da abordagem da interação do corpo e da consciência. Vive um encontro fundamental com a Descodificação Biológica, que revoluciona a sua vida e a sua prática terapêutica. A investigação terapêutica com base nos critérios de eficácia, respeito e curiosidade, tornam-no especialista em PNL e Hipnose Ericksoniana.

No âmbito da comemoração da Páscoa, convidamo-lo a partilhar a sua visão sobre o Luto e o Renascimento, pelo que ele generosamente nos dá o seu testemunho:

“O termo luto” está sujeito a confusão, e isto pode inconscientemente ou conscientemente bloquear o processo de luto.

A confusão reside em acreditar que se eu chorar esquecerei a pessoa amada que morreu (também pode ser um animal); por outro lado, se eu deixar de sofrer pela ausência da pessoa amada, é como se esta não tivesse sido importante para mim, ou como se eu já não a amasse.

Mas o luto não tem nada a ver com isso, é simplesmente para deixar de sofrer pela ausência. Portanto, quando penso novamente no falecido, dentro de mim já não há essa dor, mas um desejo alegre.

Aceitemos esse desejo alegre como a melhor forma de honrar a memória da pessoa amada que perdemos!

Devo também referir a importância de lamentar simbolicamente, ou seja, lamentar um projecto de vida que não fomos capazes de levar a cabo, ou lamentar uma certa ideia de família em caso de divórcio, lamentar a nossa vida profissional quando nos reformamos, ou um país que tivemos de deixar, entre outros.

Nesse caso, é muito importante definir o mais precisamente possível o objecto do nosso luto, a fim de não o confundir com uma parte de nós mesmos. Não podemos curar matando partes de nós próprios, mas curando-as… por isso não temos de chorar uma parte de nós próprios, mas sim “períodos de vida”.

A segunda coisa é simbolizar o objecto de luto, porque o símbolo é a linguagem do nosso inconsciente, e ao fazer este trabalho de simbolizar o objecto de luto (vida profissional, viver num lugar…) o símbolo escolhido vem muitas vezes falar de si mesmo e dá-nos informações interessantes.

E, finalmente, reconhecer o que aquela parte da vida que temos de lamentar nos ensinou. Porque, reconhecendo a aprendizagem, podemos lamentar e sair ricos e crescidos dessa experiência para estarmos disponíveis para outras aventuras.

Esta parte do luto simbólico é algo que não estamos necessariamente habituados a ter em consideração, e que, creio, é importante para evoluir e viver mais facilmente. Creio que se formos capazes de ter em consideração este processo de luto simbólico e de fazer um ritual para o tornar concreto, estaremos mais disponíveis e abertos à mudança.
Recordemos aquela frase do Buda que diz algo que vai no sentido desta ideia: “Na vida, a única coisa que é permanente é a impermanência.”

Então, sempre que queremos agarrar-nos a algo ou congelar coisas, não nos opomos ao fluxo da Vida? 

Pode também assistir à live de Jean-Guillaume Salles com Maria Gorjão Henriques sobre o tema Transgeracional.

Jean-Guillaume Salles é também uma das palestrantes do Congresso de Consciência Sistémica, no qual facilitará uma palestra e um workshop imersivo na área temática Consciência Sistémica.